Todos nós somos criativos. Todos temos a capacidade de analisar e interpretar a realidade para responder de forma original e construir algo diferente, trata-se de uma função da mente humana e não de uma habilidade inata. Este talento pode ser desenvolvido, tal como as idas ao ginásio modelam corpos torneados, o potencial criativo é uma habilidade que necessita exercício.

Questões educacionais, sociais e culturais podem contribuir para estimular a criatividade ou para comportamentos menos criativos baseados na repetição de modelos e padrões estabelecidos. No sistema educativo de hoje existe um predomínio do pensamento lógico e objectivo baseado na observação, em detrimento da imaginação criativa própria do pensamento intuitivo e subjectivo (na verdade, a sociedade não é grande apreciadora das fugas à norma que põem em causa o que está instituído, sendo por isso conservadora e auto-defensiva). Os criativos são dinâmicos, resistentes à submissão e responsáveis pela desobediência que gera evolução humana.

Existem factores que potenciam indiscutivelmente a criatividade, como o acto de questionar e analisar para além da superfície – o alimentar e saciar a curiosidade. Mudar a rotina também ajuda a criar novas linhas de raciocínio – a mente humana tende a ficar bloqueada pela forma tradicional de olhar – ao actuarmos de forma diferente da habitual forçamos a mente a encarar o mundo sob outra perspectiva, o que nos incentiva a sermos mais criativos na resposta a novos desafios.

Aumentar o conhecimento é fundamental. Ler sobre vários assuntos, conversar com pessoas diferentes, aprender a ouvir, absorver e explorar novos mundos… tudo isto dá-nos uma série de novos inputs, novas variáveis na equação com soluções múltiplas. Expandir o nosso campo de visão, diversificar as lentes e desafiar os paradigmas estimula o pensar, induz-nos a reflectir, a debater ideias, a conceber – logo, a criar.

Uma outra questão importante é a de dominar a auto-crítica (reconhecendo as nossas fraquezas e forças), há que fugir do pensamento padrão sem medo de errar – muito associado à nossa cultura de “punir os erros” – o medo é uma barreira à inovação. As grandes invenções são fruto de repetidas experiências, de sucessivas tentativas que atingiram o sucesso.É errado por isso castrar logo à partida uma ideia porque toda a ideia pode ser aprimorada e as grandes ideias também se controem sobre outras mais “pequenas”.

Ser criativo é ser sensível e alimentar-se de tudo o que se passa em redor. Passa por arriscar e desafiar o status quo numa busca pela originalidade. Passa por inverter pressupostos, dar voz à intuição, associar e combinar ideias para acrescentar valor. Requer persistência e coragem por mais irrealizável que algo nos possa parecer e obriga a sonhar. Como dizia Picasso: “o maior inimigo da criatividade é o bom senso”.

Teresa Mira

Natural da ilha da Madeira, licenciada em Arquitectura do Design, em Lisboa há 9 anos. Designer gráfico de profissão. Apaixonada por todo o tipo de expressão artística.

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