João Miranda aka Walking Fearless nascido em Lisboa e criado junto à praia dos pescadores em Albufeira. Neste momento está a acabar o mestrado no IADE, em Design Visual (onde está a desenvolver um projecto sobre tipografia) e a estagiar no grupo Fullsix Portugal. Mas tempo não lhe falta para alguns projectos pessoais, dentro dos quais as suas actualizações diárias no tumblr, sobre aquilo “que se vai fazendo no mundo na área criativa”.

Considera-se mais um cliché que se insere naquele grupo de miúdos que antes de qualquer coisa pegou numa caneta e começou a riscar, e descreve um episódio engraçado: “tinha eu os meus 5/6 anos, em que peguei numa folha e fui para a mesa de jantar desenhar um Asterix. Quando fui mostrar aos meus pais eles disseram-me que “copiar por cima era feio!”, até que perceberam que aquele desenho tinha uma escala diferente dos “Asterixs” do livro”. Volvidos 9 anos, o graffiti entrou na sua vida marcando e definindo parte da sua inspiração artística, “ Foi aí que a paixão pela ilustração teve uma continuação definida por letras, letras essas que acabaram por se tornar num dos pilares do meu desenvolvimento criativo. Embora ainda tivesse feito alguns trocos com o graffiti e reconhecesse a actividade como algo bastante interessante para desenvolver carreira, tive sempre em mente que me iria formar em qualquer coisa que tivesse uma aplicabilidade mais directa na sociedade”, descobriu então o design gráfico que o trouxe de novo a Lisboa para tirar o curso.

Acha importante e essencial ter referências fortes e diversificadas, ajuda a descobrir o melhor de nós e para também estar sempre a par do que passa há sua volta. Nas suas referências a nível nacional existem nomes como Sebastião Rodriges, Dino dos Santos, Mário Feliciano, Alva, VivóEusébio, R2, Mário Belém, João Catarino, João Maia Pinto, Ram, Vhils e Chili com Carne. Quanto a nível internacional constam nomes como Wim Crouwel, non-Format, Erik Spiekermann, Stefan Sagmeister, Alex Trochut, A2 Type, Si Scott, Jessica Hische, Paula Scher e Luc Jacamon. Mas as suas inluências não ficam apenas pelos nomes de artistas e designers, a música é também importante para trazer novas ideias e reconhecer o seu estado de espírito em determinadas alturas, como o próprio diz “é uma grande ajuda não só durante o processo criativo, mas também durante aquelas fases de produção em série estilo Modern Times! Podia dizer que gosto de tudo o que é música, mas como não é bem assim prefiro antes mencionar alguns nomes como: Off!, Fucked Up, Pinback, Evenings, Tycho, Crosses, I Had Plans, Battles, Zach Hill, Kaki King, Pygmy Lush, Tortoise, Fugazi e These Town Needs Guns”.

Apesar de conseguir, de trabalho para trabalho, ir isolando o seu estilo, afirma que ainda não está mentalizado de que o seu estilo seja característico. Prefere dizer que tem uma enorme paixão por tipografia e que tenta colocar letras em todo lado, mas diz que tudo depende das condições do trabalho, “tanto sinto necessidade de ver um resultado de um projecto com um estilo bastante limpo, organizado e metódico como a t-shirt para a Lavartshop, como simplesmente pego num capacete e em 3 poscas pretas e começo a desenhar, de uma maneira completamente livre, parando apenas quando sinto que a mancha preta está tão densa como a branca. No fundo tem tudo a ver com a natureza do projecto e a nossa perseverança para conseguir superar os nossos padrões e limites estéticos de projecto para projecto”, e acha que antes de “inovarmos de nós para o mundo, devemos inovar de nós, para nós mesmo”. Conclui que a sua forma até agora de encarar um trabalho é através da adaptação às circunstâncias dos projectos que lhe chegam, de maneira a conseguir um resultado não só do seu agrado, mas também do agrado do cliente.

Vê-se como um miúdo ambicioso que acredita no type, apesar de considerar que tem vindo a melhorar de ano para ano. O que o preocupa em Portugal é que se saiba pouco de design, não tanto para quem trabalha na área, mas quem necessita dele. Custa-lhe ver a falta de reconhecimento de gente com potencial “Ainda há pouco estava a falar aqui com um amigo do quarto ao lado e disse-me que ele e a namorada vão ter o trabalho publicado na Vice U.K.! Por estas e por outras é que acho muito importante e de louvar o esforço de malta que cria sites como o Cliente & Designer que ajudam a promover quem mais precisa e quem mais merece dentro do panorama criativo nacional”. Apesar disso, dá-lhe esperança ver que o design está em crescimento em Portugal, e que existem oportunidades para jovens designers começarem a impor-se no mercado, e aconselha a “acreditarmos no que fazemos, irmos à luta, levar uns pêros de vez em quando e ter força suficiente para levantar e seguir em frente”.

Quanto ao futuro, gostaria que acontessecem muitas coisas, mas para já terminar o mestrado seria bom. Trabalhar em Londres ou Copenhaga durante um ano ou dois, é essencial passar por uma experiência de trabalho diferente da de Portugal “não só pelos sítios onde possamos desenvolver trabalho, mas principalmente pelo ambiente que nos rodeia e que nos levam a dizer: “É mesmo à tuga!”. Por fim tem em mente abrir um estúdio com o seu amigo de longa data Bruno Rodrigues com quem tem trabalhado e estudado em diferentes cidades “e graças a isso conseguimos amadurecer as nossas ideias e crescer com vivências e perspectivas diferentes que quando confrontadas naquele café de Sábado à noite revelam-se conversas bastante interessantes e até produtivas”.

Jorge Mendes

Natural de Coimbra, curioso e auto-didacta por natureza, adora ilustração vectorial. Designer gráfico e ilustrador freelancer sempre focado em experimentar, explorar e evoluir a cada trabalho.

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