Chama-se Nelson Vassalo, é natural do Barreiro e actualmente é um criativo polivalente a trabalhar na capital.

Tudo tem um começo e para Nelson começou muito antes da era digital. Com 6 anos olhava pela janela e tentava à sua maneira, retratar o que se passava lá fora.

Tenho um grande portfólio de comboios da CP dos anos 90 da minha janela na Baixa da Banheira, e nesta altura, já sabia o que queria ser quando fosse grande: maquinista, tinha a certeza absoluta.

A vida entretanto trocou-lhe as voltas e aos 8 anos mudou de casa, consequentemente mudaram os cenários. Mais tarde, já no 10º ano, lá teve que escolher o que seguir, naturalmente, com a arte no sangue lá escolheu o agrupamento das artes. Na altura, Nelson lembra-se que havia muito o status quo da arquitectura e ao longo do 12º esse estatuto era cada vez mais proeminente até que, no final do secundário, descobriu que havia arte para além de arquitectura e acabou por escolher Design de Comunicação na FBAUL.

tentei pegar em tudo e aprender o máximo que pude, mas sei que no futuro vou estar limitado a duas, 3 áreas no máximo…

A versatilidade de Nelson é de admirar, não só no seu trabalho mas na forma como leva a sua vida. No seu trabalho tenta sempre conjugar tudo que sabe de melhor e tudo o que o rodeia para que o trabalho, seja gráfico, web, interactivo saia da melhor forma possível. E mesmo que não seja aceite pelo cliente, há sempre espaço para um exercício visual ou de estilo que mais tarde se transformará num ‘asset’ que fica disponível para projectos futuros, ou então não.

No seu processo criativo, há que haver um fio condutor, um eixo de x a y onde o projecto se assenta. Isto tudo tem as suas variantes, para quem, onde, quando, como, e as respostas vêm da experiência ou da muita pesquisa que por vezes é muita, sobretudo quando estamos em terreno desconhecido.

(…)muitas vezes  encontrar “A” referência pode resolver grande parte do problema (…) conversas com amigos, skype, facebook, coisas que vejo no Twitter, vão dando mais e mais perspectiva e profundidade àquilo que vou fazendo.

Já numa fase final, quando já há um conceito, tenta sempre fazer um wireframe ou um desenho que, antes de passar para a fase de produção ajuda a perceber possíveis entraves que podem surgir.

Como disse um pouco a cima, Nelson não só é versátil no seu trabalho como na forma que leva a sua vida, já colaborou em vários países, países esses de continentes diferentes, desde a Alemanha, Angola e Nova Iorque. Nélson deixa uns conselhos importantes para quem só agora está a começar…

Dada a incerteza em que vivemos, é que deixem mesmo de ter certezas, pois isso facilmente se transforma numa arma de sobrevivência e engenho e menos num empecilho para seguir em frente. (…) não se deixem atrair pelo “dark side of the lusohood”, ou seja, tudo o que seja conseguido com atalhos, artimanhas e desenrasque em excesso, vai vos livrar hoje de uma situação complicada mas vai provocar a reincidência dessas situações muito mais facilmente.

Quanto ao futuro, continuar a arrecadar experiência profissional e pessoal, continuar a desafiar-se e a seguir a função e só depois a forma. Aprender mais línguas, e talvez contribuir de alguma forma na vida cívica do país, ser um cidadão mais activo e conseguir sair do país com a certeza que voltará sempre.

Deixo-vos aqui alguns trabalhos e se quiserem saber mais sobre este criativo vão até ao seu site pessoal ou então no Facebook.

Carlos Sousa

AKA Kiko, natural da Ilha da Madeira e Licenciado em Comunicação e Multimédia. Web designer de profissão, freelancer e blogger nos tempos livres. Muito auto-didacta e sempre à procura da próxima web 'trend'.

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