A resposta criativa é uma capacidade própria da condição de ser humano, e no contexto actual o sucesso empresarial depende do uso desta energia. As profissões que não exigem o uso do cérebro tendem a acabar, no entanto não é fácil – atendendo à velocidade a que tudo se processa nos dias de hoje – manter níveis altos de produtividade diariamente e fazer face às exigências do sistema em que estamos inseridos, sobretudo quando o trabalho depende da criatividade. (Das 8 horas de trabalho diárias quantas são verdadeiramente produtivas?).

O Mercado pede qualidade e rapidez de resposta mas, somos um ser humano com limitações, ritmos complexos, e altos e baixos. Não existe uma fórmula mágica para aumentar a produtividade, existem sim alguns hábitos que podem fazer toda a diferença. A motivação é o primeiro passo, quando se está motivado produz-se mais e melhor. A organização é outra das chaves – a inovação não surge do nada, ao contrário do que muitas vezes nos fazem crer – uma boa gestão do tempo é fundamental. Para obter sucesso na realização de qualquer tarefa criativa é necessário foco (concentrar-se apenas no que é importante estabelecendo prioridades) para libertar a mente de tudo o que é ruído.

Durante a rotina de trabalho somos bombardeados com inúmeras informações que muitas vezes constituem interferências e dispersam a concentração, podendo inclusive corromper a criatividade. Uma técnica utilizada por muitos profissionais consiste em estabelecer processos para “resgatar inspiração” e passa por reconhecer condições ou ambientes que nos são mais favoráveis a criar. Esses recursos poderão ser: elementos, locais, determinado tipo de música (…) propícios, segundo cada um, a que o cérebro entre em modo de produção.

Proteger o horário em que somos mais criativos (a chamada “Golden Hour”) traduz precisamente uma gestão inteligente dessa energia (mais significativa do que gerir tempo apenas) – existem determinados momentos do dia em que somos naturalmente mais produtivos, é relevante identificá-los.

Tão ou mais importante que todos estes aspectos, é estabelecer fronteiras saudáveis entre trabalho e vida pessoal. O descanso (do corpo e do cérebro) é indispensável para um bom rendimento. O e-book Time Management for Creative People, de Mark McGuinness, trata precisamente este tema. Com citações de personalidades como Mozart, Flaubert, Maya Angelou, Guinness mostra que estes profissionais tinham metodologias e processos de trabalho bastante rígidos indo contra a imagem do “criativo irresponsável”.

O conhecimento e a experiência também nos tornam mais eficientes. Uma vez que produtividade implica uma relação qualidade-tempo e uma sistematização de determinadas tarefas (as que se prestam a automatismos), aqui a palavra-chave poderá ser quantidade (e agora entra também a velha conversa da determinação e da disciplina) – “get more done in a specific time frame”.

No caso da criatividade a sua natureza é mais resistente a definições – a arte de produzir algo que não existia pressupõe uma solução original a um problema (o que por si só não é muito favorável a sistemas instituídos nem a correrias contra o tempo). Aqui é a palavra qualidade que está em causa.

A questão que se coloca é: como melhorar a produtividade sem prejudicar a criatividade? Estes dois conceitos podem e devem coexistir. Por um lado é necessário salvaguardar o espaço para que a criatividade germine ao sabor do seu vento. Por outro, é importante desenvolver processos que sistematizem as restantes tarefas, aquelas que nos permitem poupar tempo (para privilegiar e investir no processo criativo). Aqui reside o verdadeiro desafio: adquirir consistência na postura e processos de trabalho, ou por outras palavras, ser mais eficiente na arte de produzir criatividade. 

Teresa Mira

Natural da ilha da Madeira, licenciada em Arquitectura do Design, em Lisboa há 9 anos. Designer gráfico de profissão. Apaixonada por todo o tipo de expressão artística.

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